O suplemento NO ShotgunÒ pertence a uma categoria de suplementos alimentares chamada pré-treino, que significa que são produtos destinados ao uso em períodos anteriores ao treinamento (por exemplo: devem ser ingeridos 30 minutos antes do treino). Neste caso, a função deste tipo de suplemento alimentar é criar no indivíduo um efeito ergogênico temporário (aumento de força, resistência, explosão muscular, etc...) melhorando seu desempenho físico.
Foi realizado uma pesquisa especificamente sobre o NO ShotgunÒ para avaliar seus efeitos na composição corporal, força muscular e indicadores bioquímicos em indivíduos que participavam de um programa de treinamento contra resistência (musculação), assim como também possíveis efeitos colaterais. O nome do artigo é: "Efeito de 28 dias de treinamento contra resistência e consumo de um
suplemento pré-treino, NO ShotgunÒ sobre a composição corporal, força e massa muscular,
marcadores de ativação de células satélites e marcadores de segurança clínica
in homens" (SHELMADINE et al, 2009).
Nesse estudo foram recrutados 18 indivíduos saudáveis, jovens (22,8 ± 4,7 anos), sem treinamento físico regular prévio ao estudo por pelo menos 1 ano. A suplementação (n=9) foi realizada por 29 dias e após esse período, foram realizados testes físicos e antropométricos além de terem sido coletadas amostras de sangue e tecido muscular para análise. Havia também um grupo que recebeu placebo (malto dextrina) por um igual período de tempo (n=9). O estudo seguiu o perfil "duplo-cego" ou seja, os pesquisadores e os participantes não sabiam o que estavam utilizando durante a pesquisa, para não influenciar nos resultados.
Resultados encontrados
Massa muscular e força. Ambos os grupos (placebo e suplementado) ganharam massa muscular, no entanto o grupo tratado com o suplemento apresentou maiores valores, quando comparado com o grupo placebo. O mesmo comportamento foi observado para a força muscular, avaliada pela carga levantada no teste realizado com o supino reto. Ambos os grupos aumentaram, porém a suplementação gerou maiores valores quando comparado com o grupo placebo. Por sua vez, a força muscular medida no aparelho de leg press, aumentou de maneira igual em ambos os grupos em resposta ao treinamento.
Marcadores bioquímicos. Não foram observadas alterações em nenhum dos marcadores avaliados, incluindo o perfil lipídico e nem nos marcadores de função hepática e função renal. O mesmo se deu com os indicadores hematológicos (série branca e vermelha).
Marcadores de hipertrofia muscular. Os níveis de IGF-1 e HGF foram maiores em ambos os grupos com o treinamento, porém a taxa de aumento de HGF foi maior no grupo suplementado, quando comparado com o grupo que recebeu placebo. Alguns marcadores de ativação de células satélite (Myo D e MRF 4) mostraram maiores taxas de aumento apenas no grupo que fez uso do suplemento. Estes dados sugerem que a utilização do suplemento poderia gerar uma ganho hipertrófico maior, quando comparado apenas com o treinamento de musculação.
Efeitos colaterais. Os autores relatam que não observaram nenhum efeito colateral entre os participantes do estudo.
Considerações finais
Os autores da pesquisa relataram que todos os participantes
foram capazes de completar os 29 dias de suplementação. Porém, logo a seguir os
mesmos afirmam que: "Ao longo dos 28 dias, 4 participantes no
grupo placebo e 4 no grupo suplementado reportaram efeitos colaterais".
(Over the course of
the 28 days, four participants in PL and four in NO reported side effects).
Eles também descrevem que no grupo placebo um participante apresentou taquicardia e outro apresentou dispnéia. No grupo suplementado, foram observados sintomas como náusea (n=2), taquicardia (n=2), nervosismo (n=2), vertigem (n=2) e dispnéia (n-1). Neste caso, se foram "apenas" 4 casos, isso significa dizer que 44% dos participantes apresentaram efeitos colaterais, ou seja quase metade dos integrantes. Além disso, de acordo com essa informação se foram 4 casos, alguns indivíduos apresentaram mais de um sintoma (!!!). Por outro lado, no texto a descrição deste resultado sugere que foram casos individuais, que se apresentariam da seguinte forma:
Sendo assim, se estes foram casos individuais, teríamos um total de 9 participantes no grupo suplementado, ou seja TODO O GRUPO !!!
O autor principal do estudo
Darryn Willoughby recebeu remuneração da empresa fabricante do produto (VPX),
fato que deve ser considerado, uma vez que obviamente existe interesse para que
o estudo mostre resultados positivos. Neste caso, uma descrição mais
"amena" dos efeitos colaterais.
Os autores da pesquisa
ressaltam que devido à presença de inúmeras substâncias presentes nesse
produto, fica difícil dizer o que funciona de fato. Dentro desse contexto, cabe
destacar a presença de creatina e cafeína, que de acordo com algumas
pesquisas realizadas apresentam efeitos que se anulam quando ofertadas
simultaneamente (VANDENBERGHE et al, 1996; HESPEL et al, 2002). Embora ainda afirmem que o NO Shotgun não tenha apresentado efeitos colaterais, ao mesmo tempo
relatam que não existe comprovação científica de segurança para muitos de seus componentes [sic].
Para os atletas, é importante
enfatizar que a presença do composto feniletilamina pode levar a casos
positivos de doping. O fundista
Daniel Lopes Ferreira foi banido do esporte após usar o suplemento NO Shotgun (Shotgun V3) em 2009. De acordo com a entrevista que é mostrada no
dramático vídeo a seguir, seu maior erro foi o que muitos atletas ainda
insistem em cometer: A FALTA DE INFORMAÇÃO !!!
A entrevista apresenta um
aspecto pouco percebido em atletas de alto nível que é a ingenuidade e a
ignorância sobre a utilização de substâncias ergogênicas no esporte, mostrando
que em alguns casos existe uma falta de suporte profissional qualificado para
estes atletas.
Pense nisso !!!
De acordo com a norma NBR 6023 da ABNT esse post deve ser citado como: CASIMIRO-LOPES G. Pesquisa sobre o suplemento pré-treino NO-Shotgun®. Blog PenseETreine. Rio de Janeiro, ano 1, setembro. 2011. Disponível em: [endereço da URL]. Acesso em: dia mês. ano.









